Lembre-se de cuidar da sua memória!

 

Quem nunca pediu a São Longuinho para encontrar algo perdido? Quem nunca pensou em como se afastar “do alemão” (o Alzheimer)? A memória nos constitui, perdê-la é como deixar de existir. Porém, por mais que isso seja óbvio, nem sempre cuidamos dela como deveríamos. As dicas que temos são válidas e razoáveis o suficiente para não ficarmos parados, esperando o pior. Então, por exemplo, no São Longuinho, dar os 3 pulinhos nos lembra que fazer exercícios é uma das principais atitudes para manter a saúde do cérebro. É difícil começar, sair da inércia, criar o hábito que sabemos que nos trará benefícios, mas o assunto é tão sério, que “deixar estar para ver como é que fica” não é lá muito interessante.

A memória acontece em 3 etapas: primeiro, adquiro um conhecimento e para isso é necessário estar atento, receptivo. Em seguida armazeno o que interessa, primeiro no curto prazo, depois no longo prazo e integro com outras experiências que já tive. Finalmente, quando preciso, evoco, acesso a informação armazenada e, para isso, também é importante estar descansado, motivado e com o aparelho mental em boas condições.

Podemos também pensar nas etapas da memória da seguinte forma: temos uma experiência emocional calcada num vínculo afetivo, algo ou alguém que gostamos. Essa experiência se finda e gera um traço de memória e um resíduo – o desejo. Quando o desejo reaparece frente a uma situação semelhante à original, mas não pode ser repetida, evocamos a memória, o que pode gerar desde uma lembrança nostálgica até uma situação de busca de suprir a falta de alguma outra maneira, de forma criativa. Em condições de outra constituição mental, podem surgir alucinações que fazem com que a memória equivalha à realidade perceptiva, ou seja, a alucinação pode ter um sentido para quem a experimenta. Porém, tudo estando em ordem – atenção, motivação, cérebro intacto, saúde global, teremos uma evocação de algo que ocorreu, bom ou ruim e, como disse, é o conjunto dessas memórias que nos definem.

O que mais fazer para favorecer um bom funcionamento mental? Já disse que o exercício físico é fundamental. De preferência exercícios aeróbicos, que favoreçam a saúde do sistema cardiocirculatório. Mas, além disso, as pessoas recorrem a palavras cruzadas que, porém, podem se tornar repetitivas (pinha = ata só existe em palavras cruzadas!) e demandam pouca interação social. Melhor que isso seriam atividades em grupo, pois a memória é um fenômeno emocional, onde a interação, o olho no olho ajudam bastante a desenvolver conexões neurais, a melhorar a lembrança de eventos. A leitura aumenta nosso repertório, estimula a criatividade e a imaginação e, melhor ainda, podemos fazer resenhas do que lemos, discutir com outras pessoas, criar um interesse específico, enfim, faz parte do rol de atividades positivas para quem quer cuidar da mente. Outro mal a se combater é a depressão, o isolamento social, a apatia, a desmotivação, o desamor, a rotina, a falta de novos interesses, enfim, para desenvolvermos nosso cérebro é fundamental sairmos da zona de conforto. Precisamos todos os dias renovar nossas esperanças de um dia melhor. Todos os dias, buscar novos interesses. Aprender novas habilidades. Favorecer o contato com os amigos e, por que não, fazer novos amigos. Aprender um segundo idioma e tudo o que isso significa: interessar-se por outra cultura, outros hábitos, outros autores…

A esta altura você já percebeu que não há uma receita de bolo. Cuidar da memória é o mesmo que cuidar de si mesmo. A primeira pessoa que devemos amar somos nós mesmos e aí sim, inteiros e sadios, amarmos aqueles que nos são caros. Daí, lembrarmos e sermos lembrados vai se tornando natural, gostoso, prazeroso. Bons dias criam boas lembranças, maus dias são para se esquecer – e se tornar esquecido! Todos temos dias ruins e nos lembramos deles, mas se essa experiência for eivada de sentimentos mal resolvidos – culpa, decepção, frustração, medo etc., talvez nossa mente prefira esquecer.

Então, finalmente, e quando acontecem os esquecimentos? Que fazer? Primeiro, não desesperar, pois esquecimentos sempre ocorrem. Não somos computadores, não lembramos de fatos de maneira automática. Daí, se estes esquecimentos vão se tornando muito frequentes ou sérios, é o caso de passar por um médico para uma avaliação mais cuidadosa, buscando causas comuns de déficits funcionais os mais variados. Só então, depois de uma avaliação muito bem-feita, inclusive psicológica, é que se pensa em um déficit neurológico. Muito, muitíssimo improvável. No mais das vezes, as queixas de memória são apenas sinalizadoras de condições outras, não de Alzheimer. Concluindo, cada vez que nos lembrarmos do São Longuinho, convém por a mão na consciência e pensar se 3 pulinhos são o suficiente para combater o esquecimento.

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